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Performatividade e cinema contemporâneo: procedimentos nas extremidades em Gabriel Mascaro

Katrin Riato Silva

Esta dissertação busca produzir uma reflexão sobre a performatividade dos sujeitos e da imagem, por meio do estudo do cinema brasileiro contemporâneo. O corpus da pesquisa é o filme Avenida Brasília Formosa, do diretor e artista visual Gabriel Mascaro (Recife, PE, 1983). Para isso, articula uma análise a partir do cinema em Pernambuco e dos atravessamentos de novas configurações de produção a partir do fenômeno da brodagem e da produção em rede. Também aborda a performatividade dos sujeitos diante das câmeras através do conceito de persona performática, a convocação do corpo e afetividades no audiovisual, a biopolítica do cotidiano e a produção pós-colonialista como ruptura de narrativa única no cinema. Diante disso, esta pesquisa busca compreender em que medida os processos estéticos do filme estudado posicionam o cinema hoje; os tensionamentos do cinema com outras linguagens nessa obra; e quais procedimentos do filme sinalizam uma constituição do sujeito contemporâneo e suas performatividades. A estrutura teórica tem um caráter interdisciplinar, já que se trata de uma leitura que se localiza nos tensionamentos do cinema com outras linguagens e com fenômenos que desestabilizam a forma cinema, como a presença da linguagem da videoperformance, hibridizações entre imagem amadora e profissional e o modo colaborativo de produção caracterizado pelo fenômeno da brodagem. Em um primeiro momento, busca-se compreender a política audiovisual em Recife e as redes colaborativas a partir de Amanda Custódio Nogueira; as relações micropolíticas e o cotidiano a partir de Michel de Certeau e Tarcisio Torres Silva; o contexto do cinema pós-industrial e do capitalismo imaterial e cognitivo nas análises de Cezar Migliorin, Jean-Louis Comolli, Maurizio Lazzarato, Ilana Feldman e Vladimir Safatle; e o posicionamento pós-colonialista no plano simbólico a partir de Moacir dos Anjos, Suely Rolnik e o movimento manguebeat. Em um segundo momento, aborda os diversos atravessamentos e hibridizações da obra através dos vetores de desconstrução, contaminação e compartilhamento da abordagem das extremidades de Christine Mello, em que se compreende uma subversão do regime de imersão na sala de cinema, hibridizações do cinema com a performance, videoperformance, reality show, rede e linguagem gráfica do videogame e a dissolução da hierarquia nos processos de produção no cinema; e a constituição da presença por meio do conceito de tempo real de Arlindo Machado. Por fim, há a aproximação entre performance e cinema, analisando a construção da persona performática através de Ana Goldenstein Carvalhaes e Renato Cohen; as leituras da performance como centro da produção audiovisual a partir de André Brasil; a ideia de fabulação de Gilles Deleuze; e uma trajetória da performance no cinema.

 

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