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Cinemas das espirais do tempo e das implicações dos corpos: diversidade nos cinemas no sul global no século XXI
Henrique Nogueira Neme
A tese reflete sobre os cinemas contemporâneos do Sul Global, tendo como recorte produções independentes do Brasil, de África e do Sudeste Asiático no século XXI. Para isso, articula uma discussão teórica e desenvolve os conceitos operacionais “cinemas das espirais do tempo” e “cinemas das implicações dos corpos”, que provocam experiências estéticas nas extremidades capazes de ressignificar as imagens de subjugação do Sul Global produzidas pela razão do sujeito universal e seu tempo cronológico, progressivo e histórico. A fundamentação teórica é de caráter interdisciplinar entre comunicação, filosofia e teoria do cinema, articulada a partir dos conceitos de “tempo espiralar”, de Leda Maria Martins, e “mundo implicado”, de Denise Ferreira da Silva, conjuntamente com o jogo de leitura da “abordagem das extremidades”, de Christine Mello. A hipótese é que as inter-relações entre o “tempo espiralar” e as “implicações dos corpos” instauram-se no cinema pela articulação sensível-corpórea de filmes que exploram regimes de presença como corpo do filme, corpo no filme e corpo do observador responsáveis por tensionar os regimes de representação do cinema hegemônico ressignificando, dessa forma, o cinema contemporâneo. Na primeira parte da tese, é contextualizada a diversidade nos cinemas do Sul Global. Na segunda parte, é introduzido o conceito de “cinemas das espirais do tempo” em seus tensionamentos na estética cinematográfica. Na terceira parte, é apresentado o conceito de “cinemas das implicações dos corpos” a partir da noção de “relação” com a de “mundo implicado”. O corpus da tese é formado por dez filmes: Ar condicionado (dir. Fradique, Angola, 2020), Arábia (dir. João Dumans e Affonso Uchôa, Brasil 2017), Cemitério do Esplendor (dir. Apichatpong Weerasethakul, Tailândia, 2015), Inside the Yellow Cocoon Shell (dir. Thien An Pham, Vietnã, 2023), Rio Doce (dir. Fellipe Fernandes, Brasil, 2020), The Unseen River (dir. Pham Ngoc Lam, Vietnã, 2020), White Building (dir. Kavich Neang, Camboja, 2021), Aqérat (dir. Edmund Yeo, Malásia, 2018), Geada de Netuno (dir. Saul Williams e Anisya Uzeyman, Ruanda, 2021) e Lingui (dir. Mahamat Saleh-Haroun, Chade, 2021). Com esse conjunto representativo da diversidade nos cinemas do Sul Global, “os cinemas das espirais do tempo” e os “cinemas das implicações dos corpos” provocam experiências estéticas capazes de ressignificar as imagens de subjugação historicamente associadas aos corpos e territórios do Sul Global. O cinema pode ser um lugar de emergência de mundos implicados. É nessa travessia entre espirais e corpos que reside sua potência crítica e ética nos cinemas do Sul Global no século XXI.
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